O fenômeno da propagação das telas no início do século XXI, como
televisores, computadores, celulares e tablets, também fomentou a discussão da
substituição do papel pelo arquivo digital. Jornais e revistas deixaram de ser
impressos, ou diminuiriam significativamente suas edições física, passando a
operar de forma online, os famosos xérox da faculdade foram substituídos pelas
notas de aula e pelas bibliotecas digitais e o comércio de livro se dividiu entre as
publicações bem diagramadas, de capa dura e de luxo dos livros físicos e
as disponibilidades do mesmo material em forma simples em dispositivos
eletrônicos.
Em meio a estes avanços e esforços de transportar a literatura física para a
digita, um gênero literário se encontra em sérias dificuldades de adaptação: A
Matemática.
Tendo uma linguagem própria com seus números (, , ), operações
(, , , , ) constantes e
variáveis (,
, , , e ), a
matemática requer um conjunto de símbolos próprios no qual apenas os alfabetos
latino e grego não são o suficiente. Não bastasse isso, nossos profissionais da rainha
das ciências, e áreas a fins, gostam de sobrepor esta simbologia com expressões tais
como , , e por
aí vai.
Quando os textos eram escritos a mão, não havia problemas em
escrever a simbologia matemática, o problema era diferenciar os ’s dos ’s e
dos
em meio aos garranchos dos autores. Com a máquina de escrever, usar um carimbo
e movimentar a folha facilitava na padronização matemática, no qual cada autor
tinha seu próprio padrão. Por volta dos anos 80, quando a computação percebia
que poderia ser usava para coisas além de computa, o cientista Donald Ervin Knuth
desenvolveu o TeX[3], uma linguagem tipográfica que imprimia a beleza da
matemática nas páginas de livros, mas ignorada até hoje pela malvadas editoras
que não possui a decência de ter um matemático na comissão editorial, obrigam
pobres calculistas a perderem o tempo de suas vidas digitando no MSWord,
além de tipograficamente corromperem seus trabalhos!!! Desculpa... Me
exaltei.
Inicialmente, o TeX, e posteriormente o LaTeX[4], tinha com intenção gerar
arquivos estáticos, como as extensões pdf, dvi e djuv, preparando-as para a
impressão. Como os computadores cada vez mais potentes, via-se que essas
tecnologias garantiam uma compilação em tempo real da linguagem matemática,
o que possibilitava sua implementação em páginas de internet. A primeira
implementação para a internet que vi foi o Greasemonkey para o navegador
Firefox, o qual você poderia adicionar um código em java script em seu
navegado, permitindo com que fórmulas matemáticas escrita em LaTeX fossem
renderizadas para a simbologia visual adequada. Após esta tecnologia, conheci
também a extensão TeX The World for Chromium, que como o próprio
nome diz, é uma extensão para o o navegador Chromium, e derivados, que
prometia fazer a mesma coisa. Com o “TeX The World for Chromium” era
possível ver códigos matemáticos no e-mail, whatsapp web, facebook,
etc. Porém, a falta de segurança em rodar um script em js, sabe-se lá
feito por quem, em sua máquina local fez com que tais extensões fossem
desativadas.

O fim dos scripts locais não atrapalhou a evolução da linguagem matemática
para a wild world web (sim, o erro foi proposital). Alguns plugins locais
foram desenvolvidos na intenção de converter um código em LaTeX na
simbologia matemática adequada, agora mais seguro, pois a responsabilidade de
implementação é do dono do site. Exemplos desses plugins são o katex [2] e o
jsmath. Embora nem todo site dê suporte para tais tecnologias, os que o fazem
possibilitam a discução matemática em alto nível. Esse é o caso dos fórum de
discussão dos alunos da OBMEP (Olimpíadas Brasileira de Matemática das
Escolas Públicas), da wikipedia, da plataforma Moodle utilizadas por algumas
universidades, das redes sociais Stack Exchange e Mastodon, além do ótimos
aplicativo de notas multiplataforma chamado Joplin [1], o qual eu fortemente
recomendo.
Em 2015 a internet recebe o maior avanço na linguagem matemática
quando o padrão HTML5 para páginas de internet integra o MATHML [6]
com padrão XML para a marcação de textos matemáticos. Embora a
última frase tenha muitas siglas das quais eu não iriei explicar, a grande
importante da afirmação acima é que agora a internet tem um padrão
universal para apresentar fórmulas matemáticas em suas páginas de
internet. Provavelmente, quando você abrir alguma página de internet
que apresente alguma fórmula matemática, você não qual tecnologia
está por trás para fazer a renderização de códigos em símbolos, se é
algum plugin do servido ou o mathml. Certo é que uma transição está
ocorrendo na direção de abandonar as tecnologias anteriores para se adotar o
mathml.
Digo tudo isso para explanar uma expectativa de futuro que me fascina: livros de
matemática para celulares. Se você trabalha com a área, já deve ter passado
pelo situação de precisar abrir um pdf do Thomas, Guidozzi ou do Elon no celular.
De nenhuma forma estes livros se adaptam bem na tela do celular. Como a largura de
pdfs são fixos, e pdfs foram feitos para impressão, nem rotacionar o celular,
nem ampliar o zoom do arquivo garante uma leitura agradável. Por outro
lado, acessar um blog ou o site de um jornal, desde que não tenha muitas
propagandas, é muito adequado para as telas que vivem em nossas mãos. A
questão que fica é: não seria possível escrever um livro de matemática
adequado para ser lido no celular? A resposta é, não seria possível, já é
possível!!!
Não é de hoje que livros digitais são vendidos por serviços na internet. O
mais famoso deles é a amazon, que vende livros no formado mobi e que podem ser
lidos a partir do aplicativo kindle da empresa. Porém, até onde sei, o arquivos
digitais da amazon não suportam marcação matemática. Felizmente a
extensão .mobi não é a única para arquivos de ebook adaptados a tela.
extensão como o AZW, o IBA e, em especial, o EPUB [5]. O formato de
livros digitais em epub é especial pois, nesta extensão o livro nada mais
é do que ”uma página de internet compactada num arquivo zip”, sendo
assim, capaz de assimilar todas as tecnologias desenvolvidas para páginas de
internet, inclusive o mathml. Além disso tudo, o epub é um formato de
arquivo livre, sem direitos autorais de empresas. Em resumo, o epub é
prático, é popular, é livre, é adaptável, é lindo... Desculpa, me exaltei
novamente.
Desde sua criação o formato de livros digitais epub tem se popularizado cada
vez mais. Por exemplo, é possível encontrar diversos livros gratuitos de domínio
público no site https://elivros.love/. Também não é difícil encontrar um
aplicativo que leia corretamente esse formato, tanto no computador como no celular.
A dificuldade ainda se encontra na popularização do formato para textos
matemáticos, pois, uma vez que a primeira versão do epub supre a necessidade da
adaptação da maioria dos livros literários de outras áreas, muitos aplicativos
não implementa a leitura da versão do epub3 que realmente tem suporte para o
mathml. Quer dizer que, além da raridade em se encontrar livros digitais de
matemática no formato epub, tentar abri-lo num aplicativo que não tem
suporte ao epub3 pode não renderizar corretamente as fórmulas e gerar
frustrações, impedindo a popularização deste formato nas áreas das ciências
exatas
Por fim, espero que este texto possa esclarecer em qual cenário nos
encontramos com relação à literatura matemática no mundo digital e
despertar a expectativa de mais pessoas, que assim como eu, vislumbra um
futuro que efetivamente poderemos estudar matemática com o celular na
mão.
Se você se interessou por esse assunto é que experimentar esta tecnologia em
suas mãos, aconselho o site https://elivros.love/, no qual há vários livros digitais
no forma epub de domínio público para baixar. Para ler estes arquivos no celular
com o sistema operacional android você pode baixar os PocketBook reader ou o
Librera. Para computadores aconselho o leitor do Calibre, o qual também tem um
criador de Ebook. E por fim, você pode baixar esse mesmo texto por aqui em epub,
acrescidos de dois capítulos adicionais para testar a renderização matemática do
texto.
Exemplos de Livros em ePUB